"Vivo a beira-mar, segurando essas dores que temos mania de ficar enrolando nos dedos. Disseram que ela não virá, minha sereia, dos cabelos negros e um corpo vestido de volúpias. Ela já cantou, sei que a ouvi cantar, lá atrás do quebra-mar, onde as ondas morrem e os surfistas temem chegar. Bela, surreal, tem a voz invejada pelos passarinhos. Ouso em chamá-la de minha, pois só eu já teimei em vê-la. Chamam-me de louco de pedra, mas só a vejo atrás delas, das rochas azuladas. Minha sereia da cauda colorida e o olhar refém. Faz-se minha, só minha, meu bem. Canto-te com minha voz ruim, mas tento cantarolar os mil desejos que ela vem a me causar. Quando te descobrirem virão te matar, por isso temos que sair daqui, minha bela, pois se te matarem podem me levar e ensanguentar a praia com minhas veias também. Musa dos meus sonhos, dona da minha cabeça. Nade por perto, mas não me esqueça. Um dia iremos fugir, no barquinho dos pescadores ou ganharei asas e te carregarei, onde possamos viver em paz, em luz, em nós." - Layla G.