"Tenho travado uma guerra cotidiana dentro da minha própria mente. Entre o que sou e o que deveria ser. O que faço e o que deveria fazer. Essa falta de liberdade impertinente fez com que eu me trancafiasse em uma gaiola fria e úmida. Trancafiei minha mente, disse para ela que daqui eu não posso sair. E ela se fechou, diminuiu, regrediu. Eu ainda tento olhar as quatros paredes dessa casa sem tanta sordidez, mas de nada adianta. Sinto que estou mofando por dentro, deixando a vida passar enquanto vejo todos seguindo, eu regrido. Deixo as pessoas passarem por cima de mim, sob meus olhos e não reajo. Não consigo encontrar no meu peito aparente paz que meu nome traz. Só queria ser livre entende? Passarinho não gosta de ser trancafiando, eu quero pensar por mim, viver por mim. Não quero dever satisfações sobre o que devo ou não fazer, devo parar de me prender por causa das outras pessoas. Não quero sucumbir dentro destas quatro paredes como as últimas gerações da minha família. Sou cansada, sufocada, dilacerada e não existe ninguém que cure esse buraco negro que habita dentro do meu ser. Quero tentar vôos próprios, mesmo que minhas asas estejam cansadas de apanhar." - Já não tenho pra aonde correr, Lolla Martins